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Notícia

Vacinar é proteger: raiva animal exige atenção redobrada em Laranjeiras do Sul

Com locais de morcegos já identificados na região, ADAPAR e administração municipal reforçam parceria e orientam produtores sobre prevenção e vacinação do rebanho

SECOM

Imagem: reunião realizada na sede da ADAPAR em Laranjeiras do Sul

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Laranjeiras do Sul e região reforçam a atenção contra a raiva em herbívoros, transmitida principalmente por morcegos hematófagos da espécie Desmodus rotundus. O município ainda não registrou nenhum caso confirmado da doença, mas já foram identificados locais com presença de morcegos dentro do território, incluindo abrigos que já são monitorados e controlados pela ADAPAR. A preocupação cresce diante do cenário regional: em uma propriedade de Nova Laranjeiras, município vizinho, houve mortalidade de animais, e o material já foi coletado pela ADAPAR para exame laboratorial.

Diante desse cenário, municípios como Guaraniaçu, Quedas do Iguaçu e Rio Bonito do Iguaçu já tornaram obrigatória a vacinação dos rebanhos contra a raiva. Ao mesmo tempo, cresce o número de casos confirmados da doença em Espigão Alto do Iguaçu e Nova Laranjeiras. É justamente para evitar que a doença avance até Laranjeiras do Sul que a ADAPAR e a administração municipal recomendam a vacinação preventiva do rebanho no município.

Diante do cenário, a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (ADAPAR) e a administração municipal se reuniram na segunda-feira (10), na sede regional da ADAPAR, para alinhar estratégias de prevenção, diagnóstico e comunicação com a população. O encontro contou com a participação do Diretor de Vigilância em Saúde, Luiz Gonzaga Zeferino Alves Jr., e sua equipe, do Secretário de Agricultura, Abastecimento e Meio Ambiente, Alcir Pires, do Secretário de Administração e Planejamento, Valmir Viola, e de representante da Secretaria de Educação.

 

O que diz a ADAPAR

De acordo com a Chefe do Escritório Regional da ADAPAR, Engenheira Agrônoma Cristiane do Rocio Kruger, o órgão realiza o controle de abrigos de morcegos hematófagos já cadastrados e apura as suspeitas de contaminação em animais, colhendo material para exame laboratorial de confirmação. Segundo ela, a integração entre a Vigilância em Saúde e a ADAPAR conecta a saúde humana, animal e ambiental em um único plano de defesa, permitindo identificar e conter agravos com mais rapidez e eficácia, além de otimizar a investigação de surtos tanto no campo quanto na cidade.

 

O alerta do Secretário de Agricultura

O Secretário de Agricultura, Abastecimento e Meio Ambiente, Alcir Pires, reforça a gravidade da situação e faz um apelo direto à população. “Quem souber onde tem um foco de morcego que esteja atacando animais, que venha até a ADAPAR para que seja possível fazer o rastreamento desses animais”, afirmou Alcir Pires.

Segundo ele, a Secretaria de Agricultura e a Vigilância em Saúde estão atuando em conjunto sobre os mesmos focos, para que, uma vez detectados, a ADAPAR possa aplicar o procedimento correto de contenção. “Estamos identificando os focos para que possamos tomar as atitudes necessárias, para que esses animais não venham fazer com que a população sofra, nem cause prejuízo com a perda do rebanho, se houver um foco”.

 

Por que a raiva em herbívoros é tão perigosa

A transmissão ocorre principalmente pela mordedura do morcego hematófago durante a alimentação de sangue do animal. Uma vez infectado, o herbívoro pode desenvolver a doença e passar a eliminar o vírus na saliva, tornando-se também risco de contágio para outros animais e para pessoas.

Nos herbívoros, a manifestação típica é a chamada raiva paralítica, com sinais como:

  • Isolamento do rebanho;
  • Salivação excessiva;
  • Mudança de comportamento;
  • Dificuldade para engolir;
  • Andar cambaleante, incoordenação motora e quedas;
  • Paralisia dos membros, com movimentos de pedalagem;
  • Opistótono (pescoço virado para trás);
  • Morte em 7 a 10 dias após o início dos sintomas.

A doença é fatal após o aparecimento dos sintomas, tanto em animais quanto em seres humanos, que podem ser contaminados por mordedura, arranhadura ou contato de saliva do animal infectado com mucosas ou ferimentos. No Paraná, são registrados em média 40 mil atendimentos por ano a pessoas que tiveram algum tipo de contato com animais potencialmente transmissores da raiva.

 

O que fazer

As autoridades orientam os produtores rurais a adotarem os seguintes cuidados:

  • Vacinar os animais de criação a partir dos 3 meses de idade, com reforço após 30 dias e revacinação anual: a vacina é barata e eficaz;
  • Não tocar em morcegos ou animais suspeitos de raiva;
  • Ao identificar mordedura de morcego em um animal, vaciná-lo contra raiva e aplicar pasta vampiricida ao redor da ferida por no mínimo três dias;
  • Ao observar sinais da doença, comunicar imediatamente o serviço veterinário oficial da ADAPAR;
  • Ao identificar um abrigo de morcegos hematófagos, avisar a ADAPAR: a captura desses animais só pode ser feita por servidores treinados e vacinados contra a raiva.

O exame de diagnóstico, feito a partir de amostra do cérebro do animal morto suspeito, é gratuito e tem resultado rápido. É importante que o animal morra da doença e não seja sacrificado, pois isso pode gerar um resultado de exame falso negativo. Vacinar é um ato de responsabilidade: protege os animais, a família do produtor e toda a comunidade.

 

Onde buscar apoio

ADAPAR (Escritório Regional de Laranjeiras do Sul)

Endereço: Avenida Santos Dumont, 2341, Centro (ao lado do Banco do Brasil);

Horário de atendimento: das 08h ao meio-dia e das 13h30 às 17h30;

Telefone: (42) 3635-1181.

11/08/2026